Escassez de água e falta de alimentos

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Daniel Balaban, representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no Brasil e diretor do Centro de Excelência contra a Fome

O representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no Brasil e diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Daniel Balaban, fala do impacto da atual crise hídrica por que passa o nosso país e de que forma ela se mostra presente na mesa e no bolso dos brasileiros.

Eu moro em Brasília, e este ano, de novo, tivemos o dia mais frio e o dia mais quente desde que começaram a acompanhar a série histórica, e isso está acontecendo em todo o planeta. Logicamente que há um reflexo muito forte na produção dos alimentos em função disso. Se há uma quebra de safra, pagamos mais por determinados gêneros alimentícios, e as pessoas hoje não têm capacidade financeira para arcar com essa despesa. Então, começam a se alimentar mal, a comprar produtos menos nutritivos, que são mais baratos, e passam a ter problemas de saúde relacionados com a má alimentação. (...) Hoje, mais de 20 milhões de pessoas no Brasil, ou seja, 10% da população, estão em insegurança alimentar e nutricional grave, não têm dinheiro para comprar comida, e quase metade da população brasileira tem algum tipo de insegurança alimentar e nutricional. Esse é um dos maiores problemas que o país precisa enfrentar, deve debater e achar uma solução. 

“Eu trabalho nas Nações Unidas, e lá se discute o tempo inteiro medidas emergenciais que devem ser tomadas, porque nós já atingimos o limite ambiental do planeta. As pessoas terão muito mais problemas se não fizermos nada. Já estamos tendo que pagar mais caro pela conta de luz, pelos alimentos... Tudo isso é uma bola de neve, e, por isso, devemos debater esses assuntos e fazer com que aqueles que detenham o poder de decisão também comecem a discutir o que fazer para resolver a questão climática mundial.

 “As pessoas têm uma mania de achar que as soluções devem vir de cima para baixo, mas, na verdade, elas são criadas por nós mesmos. O mundo desperdiça mais de um bilhão de toneladas de alimentos por ano. Só no Brasil são mais de 20 milhões. Essa quantidade de comida que jogamos no lixo consome água para ser produzida, energia, trabalho... Então, temos de mudar os nossos hábitos, não somente exigir dos outros essa mudança. No dia em que todo mundo se sentir responsável, isso muda. Enquanto alguns acharem que não são responsáveis por nada, que não é com eles, vamos continuar nessa situação”, concluiu.

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