O professor Paulo Rosman, especialista em Engenharia Costeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe considerações relevantes sobre a elevação do nível dos oceanos e a questão do planejamento urbano nas regiões costeiras do país.

Paulo Rosman bv266_biosfera_14_0.jpg?itok=EpBlFVHI

Paulo Rosman, professor especialista em Engenharia Costeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As vulnerabilidades nas zonas costeiras ocorrem, principalmente, por três causas. Primeiro, é um motivo lento e gradual: a elevação do nível do mar é da ordem de 1,5 a 2 milímetros por ano, em média. O que preocupa especialmente em cidades costeiras, que ocupam áreas de baixada, é que esses solos, que são geologicamente jovens, com o passar do tempo vão se compactando e descendo. Então, é pior ainda com essa variação média do mar, e será, cada vez mais, um desafio grande para essas cidades, porque aumenta o risco de inundação nas regiões de baixada e dificulta o processo de drenagem das chuvas. Porque, quando se diminui a declividade, a água escoa mais devagar e as inundações persistem por um período maior. Outra condição na zona costeira que afeta de maneira mais súbita é o aumento dos extremos climáticos, da frequência de tempestades intensas, da ocorrência de secas prolongadas. Nas épocas de secas, os rios diminuem a sua vazão, e os trechos costeiros são os estuários dos rios, onde a água doce do continente se encontra com a água salgada do mar. À medida que o rio se enfraquece por conta da longa estiagem, a água do mar entra mais fácil e aumenta-se a intrusão salina em estuários, o que fará com que as pessoas tenham captação de água salobra, prejudicando plantações etc. Além da questão de marés meteorológicas e ressacas mais intensas associadas a tempestades no mar.

“As mudanças climáticas geram alterações no padrão dos ventos, e são eles que, soprando na água do mar, produzem as ondas. Dependendo da direção em que ele sopra, haverá ondulações chegando ao litoral com certa direção. Se não há nenhum impedimento estrutural feito pela urbanização que dificulte a adaptação da praia, ela se adapta, e isso é normal. Mas, à medida que se constrói cidades, avenidas, restringindo o arco praial, sem respeitar a faixa dinâmica do litoral, como é feito de maneira imprudente em várias cidades do Brasil, a dinâmica da praia é bloqueada, impedindo-a de se adequar a uma modificação na direção das ondas. Então, essa praia vai rodar, e, se houver uma cidade atrás, isso será uma situação realmente preocupante”,  finalizou.